domingo, 2 de novembro de 2008

Não tão outro...


foto: Yan Chaparro
Um outro se aproxima, suas vestimentas se assemelha aquilo que é dito por ai como morado de rua, vagabundo, mendigo, pedinte e até mesmo invisível. Este outro pronúncia uma voz a mesa em que eu estava, e com uma combinação de símbolos performáticos, ele estende a mão teatralmente, com olhos de tristeza, e pede uma moedinha.

Até agora tudo parece aceito como uma banalidade do cotidiano, quando o ordinário passa, somente passa, e sua pronuncia é do incomodo e do sentimento de dó (a morte perversa). Mas por uma ação inteligente e sensível de uma pessoa da mesa, esta historia me apresentou novos movimentos. Uma menina sugere que ela poderia dar um suco, um refrigerante ou um pastel, e este outro aceita um refrigerante. No instante em que a menina vai buscar o refrigerante, este outro modifica radicalmente seu discurso como sujeito social, uma postura subjetivada deste outro se mostra diferente, uma ação que me trouxe muitas indagações.

Este tal outro, revela um sorriso e conversa sobre muitas outras coisas, até sobre pescaria, e sobre as cidades que ele já passou, e estende por bons minutos uma conversa que passou por Manaus, São Paulo, Rio de Janeiro e Aquidauana. E por este instante o outro próximo se apresenta confortável no falar, em um estalo, como conseqüência de um ato mais perspicaz, a figura de um sujeito muda radicalmente, como quando a camuflagem construída por este outro, sofresse alguns borrões de descanso.

Quando este outro pede licença e vai caminhando, vejo ele voltando a performance em que se pede, em sua esperada (para os homens honestos) invisibilidade, volta à nostalgia da noite. E fico me indagando sobre tudo isso, quando por um feixe (postura nova) no cotidiano com uma lógica que parece banal, se modifica densamente.

Esse outro, não se parece tão outro, um longe que vaga, mas se mostra como não tão outro, e ao afirmar isso, é inevitável o questionamento sobre os sujeitos socais, muitos protegidos por vestimentas de guerra. Mas parece que no tecido urbano, ao falar sobre um outro, este não esta distante, e corta a carne (minha, sua, dele) no estar comunicativo desta mesma urbanidade.

Este outro da historia, possui um movimento parecido como o meu, e o seu, a diferença existe, mas quando se pensa em sujeitos urbanos, o outro não é tão outro assim, se assemelha quando o olhar e a escuta permite uma posição de mais perto.



Yan Chaparro – 27/10/2008

3 comentários:

Werther Fioravanti disse...

éee meu amigo...
o quanto atordoa essa presença significante, e com tantas vidas na mesma situação, as vezes parecem comuns, cotidiano simplesmente, um encontro de personagens da história... que por causa disso e daquilo, estão por ali, nessa conseqüência!
Que me faço é buscar entender a relação com tudo isso, como e porque meu corpo reage dessa ou de outra forma?
Belo discurso...
abraço amigo

Werther Fioravanti disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Werther Fioravanti disse...

tem um ponto de interrogação ai no meu comentário... ta errado... mas deixa lá.. da muito trabalho arrumar...
rs...
abraço