quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Passagem

Seria um muro imperceptível a olho nu? Tudo que conseguia ver era a rua. De um lado o pessoas rindo e pedindo mais uma garrafa e do outro trabalhadores curtindo a desaventura de seu ofício. Uma pane qualquer e o caminhão de lixo pára em frente ao bar. Seria apenas um incomodo passageiro, mas nessas circunstâncias o cheiro podre permaneceu e atrevessava a rua conquistando reclamações. A noite prometia mais. Vento forte, prelúdio de chuva, avoroço. Alguns procuravam lugar para se proteger, outros preferiram pagar pra ver, entre uma destas mesas estava a minha. A mesa vizinha apresentava duas mulheres, bonitas, sedutoras, um certo ar de segurança. Falavam alto e gesticulavam pra chamar mais atenção, era de intimidar qualquer um. Mais uma rajada de vento, a comanda das mulheres parou no meio da rua. Um rapaz igual a qualquer outro ali a não ser pelo macacão laranjado saí do meio dos que estavam encalhados, retira a comanda do meio da rua e termina a travessia da barreira entregando-a as mulheres. Elas estáticas, receberam a comanda de volta e nem se quer pode ser ouvido um obrigado. Viraram meninas assustadas. O rapaz volta para o seu lado do muro quando uma delas respira aliviada e diz que pensou que seria assaltada. Soco no meu estômago. Não só mataram a boa educação, a política do medo deu certo, depois que esse indivíduo se indignar só não queiram culpá-lo, o lixo do caminhão não foi ele que fez sozinho. O cheiro não é só dele, é nosso.

Um comentário:

Yan Leite Chaparro disse...

Ola rapaz chico... que bom que termonou o texto, gostei muito dele, a sua composição figurativa que permite o desenho de sua narrativa, é muito boa... vai para o leitor, volta para vc... maneiro mesmo...

Só uma coisa me intrigou, fiquei confuso com o final,esta bom,mas acredito que você pode dar uma arrumada, da a impressão que falta algo...

Abraços amigo...

e paz ai...